Com mais de 1.100 cavernas, Goiás aposta no espeleoturismo e entra na rota do mundo subterrâneo

Com mais de 1.100 cavernas, Goiás aposta no espeleoturismo e entra na rota do mundo subterrâneo

Goiás está emergindo como um novo polo de espeleoturismo (turismo em cavernas), graças ao seu vasto patrimônio geológico. De acordo com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio), o estado possui 1.136 cavernas catalogadas, o que o coloca entre os cinco estados com maior concentração dessas formações no país.

Este universo subterrâneo oferece potencial para o turismo de aventura, ciência e educação. O principal destaque é o Parque Estadual da Terra Ronca, em São Domingos, considerado um dos maiores complexos espeleológicos da América Latina, com mais de 250 cavernas. Outras formações notáveis incluem a Gruta dos Ecos, em Cocalzinho de Goiás, e a Lapa do Reinaldo, em Posse.

 

Experiência e Preservação

 


Turistas relatam experiências “fantásticas”. Flávio Alves, que visitou a Gruta dos Ecos, descreveu uma descida de cerca de 180 metros que culmina em um lago subterrâneo de água cristalina. João Siqueira, que esteve na Terra Ronca, destacou a importância de seguir as orientações dos guias e reforçou a grandiosidade da natureza.

Apesar do potencial turístico, especialistas alertam para a necessidade de equilíbrio entre visitação e preservação. A espeleóloga e pesquisadora da UFG, Renata Momoli, afirma que o turismo sem capacitação e planejamento adequado aumenta os riscos de segurança para os visitantes e pode degradar as cavernas.

 

Ciência e Segurança

 


Pesquisas são cruciais para o planejamento do uso turístico, pois podem identificar riscos geotécnicos (como queda de blocos e abismos) e biológicos (como a presença de vírus e fungos causadores de doenças como a Histoplasmose).

O pesquisador Jadson Bezerra (funBIOS) enfatiza que o turismo, quando aliado à ciência e ao engajamento das comunidades locais e escolares, pode ser um forte instrumento de conservação. Além da Terra Ronca, regiões como Vila Propício, Mambaí e Buritinópolis também são consideradas ambientes relevantes para pesquisa científica.

Para uma experiência segura, a recomendação é planejar com antecedência, buscar guias credenciados e garantir que a caverna possua um Plano de Manejo Espeleológico aprovado pelo CECAV/ICMBio, que atesta a segurança e a resiliência ecológica do local para a visitação. Quase 44% das cavernas do país estão em áreas que podem ser afetadas pela mineração, reforçando a urgência na conciliação de preservação e uso sustentável.

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